Quem acompanhou a cobertura televisiva sobre o incêncio em uma favela paulistana há duas semanas, pela tv, conseguiu evidenciar na prática uma característica própria do meio televisão. Trata-se da informação visual, aquele tipo de informação que nenhum outro meio de comunicação é capaz de transmitir. Furos de reportagem no jornalismo podem ser conseguidos com a informação visual, como ocorreu durante o cárcere privado do apresentador e empresário Silvio Santos, em 2001, em sua residência, no Morumbi, em São Paulo. Do alto de um helicóptero uma câmera de televisão com um zoom potente conseguiu registrar, naquele fatídico dia, a imagem de SS em sua sala de ginástica, de pijamas. O furo de reportagem, naquele momento, era exclusivo da televisão. Só ela conseguiu trazer a informação visual do ”homem do Baú” naquela altura dos acontecimentos.
Há quinze dias uma câmera da GloboNews transmitiu praticamente na íntegra o incêndio numa favela em São Paulo. Mesmo tratando-se de um domingo, quando o trânsito é menor, as dimensões da grande metrópole atrasam qualquer tipo de cobertura jornalística, o que não acontece via aérea. A câmera da GloboNews conseguiu captar a imagem de um homem sobre as casas, tentando remover algumas telhas, enquanto a apresentadora do canal, em estúdio, tentava narrar a cena. “Ele deve estar tentando salvar alguém que pode estar dentro da casa…” É um chute obviamente, afinal, não havia nenhum subsídio informativo. Mas era o que restava à apresentadora, deduzir.
Em todo caso, é a informação visual da televisão, que pode vir primeiro, que pode dar o furo, que pode trazer a notícia em primeira mão sem qualquer adorno, sem texto, sem nada, só a imagem prevalece nestes casos.
