Publicado por: carlospraxedes | janeiro 25, 2010

TV Gazeta – 40 anos

Pontos positivos e negativos de uma pequena emissora de TV

A TV Gazeta de São Paulo, emissora pertecente à Fundação Cásper Líbero, completa nesta segunda-feira, 40 anos de existência, exatamente no dia do aniversário da maior cidade do país. A menor das emissoras paulistanas (canal 11) está restrita ao Estado de São Paulo e também vai ao ar pelo canal 21, nas antenas parabólicas. É considerada, atualmente, a emissora aberta com o maior número de espaços comercializados. São programas de venda direta pela tv como o BestShopTV, programas que vendem automóveis, imóveis, programas religiosos de várias denominações. Programas próprios fazem a menor parte da programação diária da Gazeta.

A programação é bem conceituada. Mesmo com todo o merchandising existente nos programas ao vivo, a Gazeta consegue informar muito mais a comunidade paulistana da manhã à noite. A audiência é muito baixa, mas não há apelação na emissora paulistana. Críticos de cinema, consultores jurídicos, dicas de saúde. Enfim, a programação culural e educativa da Gazeta é feita com poucos recursos, mas dá conta do recado. Faz o que emissoras maiores não fazem por falta de vontade.

A Gazeta tenta, diariamente, reunir um público predominantemente feminino, com exceção do formato “mesa redonda” do futebol, que foi criado na emissora e se espalhou pelo país. O programa “Mulheres”, por exemplo, está no ar desde a época em que fazia concorrência para o “TV Mulher”, da Globo, em 1980. Sempre modesta, a Gazeta não tem estrutura de grande emissora, não tem grandes personalidades da televisão, mas consegue, com relativo sucesso, entreter os telespectadores com informação e cultura.

Quem foi Cásper Líbero?

A Fundação Cásper Líbero administra a TV Gazeta, assim como a rádio e jornal, além da Faculdade Cásper Líbero. O jornalista Cásper Líbero nasceu em 1889, em Bragança Paulista e morreu em 1943, num desastre aéreo, no Rio de Janeiro. Deixou, no testamento, a vontade de criar o primeiro curso de Jornalismo do Brasil. Foi o que aconteceu quatro anos mais tarde. Diretor-proprietário de um dos jornais mais importantes da época, A Gazeta, Cásper Líbero também foi o idealizador da famosa Corrida de São Silvestre, evento esportivo transmitido até hoje pela TV Gazeta.

Cásper Líbero (1889/1943)

Publicado por: carlospraxedes | janeiro 16, 2010

TV digital no Brasil

Passados dois anos da implantação do sistema de televisão digital no Brasil, apenas 22 cidades brasileiras dispõem de sinal digital na televisão aberta. Várias capitais ainda não possuem o sistema, embora cidades do interior tenham pelo menos um canal digital, como é o caso de Joinville. O interessante é que, destas 22 cidades, o predomínio é da Rede Globo de Televisão e suas afiliadas. A esmagadora maioria dos municípios com tv digital tem apenas uma emissora nesse sistema, o que não atrai a população para essa tecnologia. A segunda rede de televisão do país, a Record, vem muito atrás da Globo nesse quesito. Enquanto isso, ainda existem emissoras locais nas maiores cidades do país que não disponibilizam a programação no sistema digital. Por que, afinal, alguém compraria o decodificador (ainda custando mais de 300 reais) para assistir apenas a Globo com sinal melhor? Vale lembrar que se o cidadão não dispõe de um televisor de plasma ou de LCD, não adianta nada comprar o decodificador pois a melhoria do sinal é pequena, não se percebe a alta definição.

É, a tv digital ainda não emplacou no Brasil. A boa qualidade da imagem de televisão em sinal analógico e a quantidade de telespectadores ainda dependentes apenas da tv aberta dificultam essa migração para o novo modelo. Ao contrário dos Estados Unidos, onde quase 80% da população possui tv a cabo, no Brasil esse número ainda é muito pequeno, abaixo de 20%. E o custo para comprar um televisor de plasma ou LCD que já venha com o decodificador é muito alto, embora o Ministério das Comunicações “venda” a ideia de que comprando apenas o decodificador separadamente já é possível ter acesso ao sistema, o que não é bem verdade, se o cidadão comum instalar o aparelho diretamente a um televisor de tubo. É, acho muito dificil que o sinal analógico seja desligado em 2016 como queria o governo brasileiro, quando da implantação do sistema digital. Nos Estados Unidos o analógico não existe mais, mas no Brasil, a realidade é muito diferente.

Publicado por: carlospraxedes | dezembro 15, 2009

O adeus a Padre Alvino

Os itajaienses acordaram hoje (14) com a trágica notícia da morte de Padre Alvino Broering. Eu fiquei perplexo com o brutal acontecimento. Conhecia padre Alvino há mais de dez anos. Entrevistei o sacerdote várias vezes nos programas da Rádio UNIVALI FM. Foi ele quem batizou meu filho, em 2003. Foi ele que me entrevistou antes de meu casamento. Foi uma fonte importante para a minha dissertação de Mestrado, entre 2004 e 2005. Foram as missas rezadas por padre Alvino na Igreja da Vila Operária que me deram forças para superar a morte de minha mãe há exatos dez anos (15 de dezembro de 1999). E como era bom ir à missa celebrada por padre Alvino. Os outros padres de Itajaí que me desculpem, mas a missa de padre Alvino era muito especial. O rito era pra cima, diferente. Ele rezava a missa com paixão. O sermão era descontraído, não era monótono.

Homem inteligente, padre Alvino sabia falar sobre tudo. Era extremamente bem informado. A comunicação era o seu  forte. Entendia muito sobre as concessões das emissoras de rádio e televisão no Brasil. Era estudioso da legislação. Foi vice-presidente da Associação Nacional Católica de Emissoras de Rádio Comunitárias (ANCARC), com sede no Estado de São Paulo. Pessoas de várias partes de Santa Catarina recorriam a padre Alvino para saber como implantar uma rádio comunitária, quais os passos a seguir. Atuava junto à Arquidiocese de Florianópolis, que atende a microrregião da Foz do Rio Itajaí.

Implantou a Rádio Maristela FM, em Navegantes, no começo da década de 90. A rádio funcionava sem autorização do Ministério das Comunicações e foi obrigada a sair do ar pela ANATEL. Mas em 2000, padre Alvino realizou um grande sonho: conquistou o primeiro canal de rádio comunitária em Itajaí. Fundou a Conceição FM, emissora comunitária, moderna, com sede em Itajaí. Exemplo de rádio comunitária, mesmo sendo de inspiração religiosa.

A última entrevista que fiz com padre Alvino foi antes do dia de Finados. Padre Alvino falou exatamente sobre a morte, o significado da morte. Falou com propriedade sobre o que a morte representava para a Igreja Católica, enquanto outra convidada falava sobre o significado da morte para a doutrina Espírita.

Hoje, por volta das 11h30, a Igreja Matriz de Itajaí estava lotada. Eu fui ao velório de padre Alvino, prestar a última homenagem ao sacerdote. Ali estavam pessoas de todas as classes sociais, de religiões diferentes, de culturas diferentes. Isso demonstra o quanto padre Alvino era querido pelos itajaienses e pessoas das cidades vizinhas. Demonstra exatamente como foi a dedicada vida de padre Alvino, servindo a todos, sem distinção. Era, realmente, uma pessoa única. Ao mesmo tempo em que defendia a Igreja Católica, também fazia questão de expor os avanços da congregação e o que ainda havia de ser feito para modernizar a Igreja.

Em nossa última conversa, após o programa do dia de Finados, padre Alvino irradiava aquela alegria contagiante, com seu sorriso escancarado, por trás da figura séria. É isso que vou procurar lembrar desse homem que marcou a sociedade itajaiense.

Publicado por: carlospraxedes | dezembro 13, 2009

Aquecimento global – desmatamento no Dom Bosco

Não precisa ser cientista para ver que o aquecimento global está nos afetando diariamente. Durante a onda de calor do começo do mês, na qual os termômetros passaram dos 40 graus celsius em Santa Catarina, um colega da Univali me falava que as serventes estavam varrendo passarinhos que não aguentavam o calor e caiam. Isso aconteceu entre os blocos 11 e 12 da universidade. Me lembro que, quando garoto, no começo da década de 80, tudo era mais equilibrado. Os vendavais aconteciam no início do verão, a temperatura reduzia significativamente durante o inverno, o verão era bem quente. Enchente já havia, mas fazer o que? Nem tudo é perfeito numa cidade situada quase ao nível do mar. A impressão que dá é que tudo realmente ficou desregulado.

Quando vim morar no bairro Dom Bosco, em Itajaí, fiquei maravilhado porque a tranquilidade reinava absoluta em minha rua. Uma grande área verde ficava bem próxima de minha residência. Vários animais habitavam a área. Obviamente nós é que invadimos o espaço desses seres, lógico, mas nossas construções eram modestas.

Ao longo do tempo as grandes árvores foram sendo destruídas. Já era possível ver algumas construções atrás do matagal. Mas esta semana ocorreu o golpe de misericórdia. Em poucas horas, tudo foi devastado. E o pior de tudo, em plena semana de discussões sobre o aquecimento global, sobre as mudanças climáticas, sobre o futuro do planeta. As discussões ao redor do mundo em torno da COP15, de Copenhague e, em Itajaí, uma grande área é desmatada, aliás, devastada. Clicando aqui, você pode ter a noção do problema nessa imagem de satélite. Ela mostra o tamanho da área que foi desmatada esta semana.

Publicado por: carlospraxedes | dezembro 3, 2009

Arrogância na televisão não é legal

É claro que não dá para analisar simplesmente o comportamento de Datena, perante seus colegas, ao vivo, para uma grande audiência, composta principalmente pelo Estado de São Paulo e pelas antenas parabólicas de todo o país. Nos bastidores, provavelmente, os ânimos já estavam alterados. Ninguém protagoniza uma cena dessas sem ao menos ter alguma razão. Mas após tantos anos de estrada, não dá para entender como um apresentador se descontrola a tal ponto. Apresentadora, comentaristas e convidado do programa anterior ficaram completamente sem ação. Todo mundo tentando disfarçar até que isso se torna impossível. Talvez a falta de comando de uma emissora de televisão possa justificar tal atitude. Mas perante o público, isso é inadmissível. Todos saem perdendo neste caso. Discussão após a hora do almoço, ninguém merece, ninguém quer. E isso tudo aconteceu hoje.

Publicado por: carlospraxedes | novembro 4, 2009

A informação visual da TV

Quem acompanhou a cobertura televisiva sobre o incêncio em uma favela paulistana há duas semanas, pela tv, conseguiu evidenciar na prática uma característica própria do meio televisão. Trata-se da informação visual, aquele tipo de informação que nenhum outro meio de comunicação é capaz de transmitir. Furos de reportagem no jornalismo podem ser conseguidos com a informação visual, como ocorreu durante o cárcere privado do apresentador e empresário Silvio Santos, em 2001, em sua residência, no Morumbi, em São Paulo. Do alto de um helicóptero uma câmera de televisão com um zoom potente conseguiu registrar, naquele fatídico dia, a imagem de SS em sua sala de ginástica, de pijamas. O furo de reportagem, naquele momento, era exclusivo da televisão. Só ela conseguiu trazer a informação visual do ”homem do Baú” naquela altura dos acontecimentos. 

Há quinze dias uma câmera da GloboNews transmitiu praticamente na íntegra o incêndio numa favela em São Paulo. Mesmo tratando-se de um domingo, quando o trânsito é menor, as dimensões da grande metrópole atrasam qualquer tipo de cobertura jornalística, o que não acontece via aérea. A câmera da GloboNews conseguiu captar a imagem de um homem sobre as casas, tentando remover algumas telhas, enquanto a apresentadora do canal, em estúdio, tentava narrar a cena. “Ele deve estar tentando salvar alguém que pode estar dentro da casa…” É um chute obviamente, afinal, não havia nenhum subsídio informativo. Mas era o que restava à apresentadora, deduzir.

Em todo caso, é a informação visual da televisão, que pode vir primeiro, que pode dar o furo, que pode trazer a notícia em primeira mão sem qualquer adorno, sem texto, sem nada, só a imagem prevalece nestes casos.

Publicado por: carlospraxedes | novembro 1, 2009

Rádio Univali FM 2

Em 22 de março de 1999 estrearam os dois principais programas jornalísticos da Rádio Univali FM: Repórter Univali e Unirepórter. A primeira edição do Repórter Univali foi gravada na noite anterior, um domingo. Nesta edição especial várias personalidades regionais falavam o que significava a inauguração da nova estação. A partir de terça-feira, dia 23 de março, o Repórter Univali passou a ser apresentado ao vivo. Esse programa jornalístico alterou profundamente a forma de ouvir um noticiário radiofônico na região pois, pela primeira vez em Itajaí, havia boletins gravados no formato tradicional aos dos grandes centros do país com todos os elementos necessários para transmitir a informação radiofônica (chamada, cabeça, off’s, sonoras).  Até então, o que prevalecia no rádio regional era o formato de programa jornalístico com matérias ao vivo ou com entrevistas sem edição elaboradas pelos apresentadores em estúdio com a utilização da híbrida.

O Unirepórter era o bloco informativo, de hora em hora, com a atualização das principais informações do dia.

Os equipamentos e as instalações da Univali FM também eram comparados aos das melhores rádios brasileiras. Espaços generosos projetados em um prédio de três andares construído exclusivamente para abrigar a rádio e a tv.

Publicado por: carlospraxedes | outubro 30, 2009

Rádio Univali FM 1

A Rádio Univali FM de Itajaí iniciou suas operações em dezembro de 1998 em caráter experimental para ajuste de transmissores. Entrou no ar oficialmente em 22 de março de 1999. Em 2001 aumentou sua potência de transmissão dos anteriores 4 mil watts para 20 mil watts, chegando a atingir mais de 30 municípios catarinenses. No dia da troca de transmissor e de potência, nos altos do Morro da Cruz, em Itajaí, fizemos a transmissão ao vivo da solenidade. Estavam presentes várias pessoas. Os acadêmicos que faziam estágio na rádio, na época, os engenheiros da emissora, os funcionários, o diretor da rádio, pessoas que não trabalham mais na casa, pessoas que hoje em dia estão em outros veículos de comunicação e assessorias. Grande momento. Me lembro que a rádio, naquele dia, recebeu autorização para transmitir nas duas frequências, de forma simultânea: a antiga (90,9MHz) e a nova (94,9MHz). A sensação foi única. Anunciar que, a partir daquele momento, o novo transmissor estava em operação. Curiosidade: a rádio mantém seus transmissores dentro de um contêiner refrigerado, nos altos do Morro da Cruz. Aquele dia, com céu nublado e chuva fraca, entrou para a história, para a nossa história.

  Nos altos do Morro da Cruz

Publicado por: carlospraxedes | outubro 27, 2009

A falta de vida em condomínio

Essa nova série do Fantástico da Rede Globo é muito pertinente. A vida em condomínio realmente não é fácil, porque todo mundo é proprietário de tudo. Barulho fora de hora, carrinhos de supermercado abandonados no corredor do andar onde você mora, lixo do vizinho próximo da sua porta, batidas de porta persistentes, conversa entre vizinhos no meio do corredor, na frente da sua porta, enfim, só quem já morou em condomínio sabe que viver em “comunidade” pode ser muito mais dificil do que a gente imagina. Todo mundo quer ter razão em um condomínio. Todo mundo paga a mesma taxa que você. E você, quando comete algum erro dentro do seu apartamento, quando esquece que já passou das 22h, certamente será lembrado por um vizinho. Aliás, vizinho pode significar tanto a sua salvação num momento de necessidade quanto a angustia de morar em um condomínio. O síndico do prédio onde eu morava levou um soco de um vizinho porque foi até o salão de festas pedir para baixar o som após a meia noite. Isso não é vida, isso é falta de vida em condomínio. A partir do momento que você não consegue relaxar em casa ou que ouviu um comentário deselegante no elevador, significa que você não foi feito para viver em condomínio.

Publicado por: carlospraxedes | outubro 19, 2009

Rubinho

Sou torcedor dos brasileiros da Fórmula 1 desde a época de Piquet e Senna. No ano passado torci bastante para o Massa, logicamente. Neste domingo a torcida no GP do Brasil foi, finalmente, para Rubinho. A estratégia de ir aos boxes tão cedo pode ter custado ao brasileiro a vitória na corrida do GP de Interlagos. Foi uma pena realmente. Rubinho infelizmente não conquistou o GP, frustou todos os brasileiros. Claro que ele é e sempre foi um bom piloto, afinal não estaria nessa categoria do automobilismo até hoje se não o fosse. Sujeito bom caráter, excelente pessoa, grande personalidade por tudo o que representa para o país. Mesmo assim, fiquei pensando: puxa vida, quantas vezes ele viu a equipe inteira comemorando, menos ele? As especulações foram muitas logo após o GP, até mesmo pelo twitter. Afinal, foi azar? Decisões inadequadas da equipe? Não dá para entender como o piloto larga na frente e tão rapidamente perde posições importantes. Agora é torcer pelo vice campeonato.

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