Nos últimos 12 dias eu fiquei aqui, no hospital, em Curitiba, com a Karla. Tento ser um bom acompanhante. Não sei se consigo. A experiência de estar aqui trancado é angustiante para o acompanhante, imagina então para o paciente. O setor de Hematologia fica no primeiro andar do hospital. Logo ao sair do elevador (que eu nunca uso, pois prefiro as escadas), à direita, existe a divisão do setor de Hematologia por meio de uma porta de vidro. É preciso tocar uma campainha para entrar no local, devidamente separado para evitar mesmo a circulação, já que as pessoas internadas aqui geralmente estão com suas defesas muito baixas. Ao entrar nesse espaço, estão os quartos da primeira ala, de internação. Eles são muito pequenos, mas possuem armário, televisão de 42 polegadas com NET (todas elas doadas por um paciente de Jaraguá do Sul que se curou de leucemia), a cama, um sofá (meu companheiro por todos esses dias e uma poltrona reclinável, extremamente desconfortável. A acomodação é muito limpa. Existe um cuidado muito grande com a limpeza do ambiente. Além dessa ala, ainda existe outra porta de vidro, onde fica a unidade semi intensiva e ainda outra porta de vidro, para os pacientes submetidos ao transplante de medula óssea. Pacientes em transplante ficam neste ambiente, o mais isolado do setor de hematologia, separado do restante do hospital por três portas de vidro. Quando saem desse ambiente, seguem para a unidade semi intensiva, antes de deixar o hospital.
Quem não é de Curitiba e faz o transplante precisa continuar morando na cidade por dois meses, na casa de alguém, ou num flat, ou apartamento. Antes de sair definitivamente do hospital, esse paciente precisa se acostumar com o local onde vai morar por dois meses e, por isso, faz visitas diárias de poucas horas a esse lugar, para que o organismo não estranhe esse novo ambiente.
Existe especulação financeira nas proximidades do hospital. Um flat localizado bem ao lado cobra um preço alto pela diária. Claro, sempre existem os espertos que se aproveitam da necessidade alheia.