Publicado por: carlospraxedes | 09/01/2012

Campanha

Durante a nova internação (inesperada) de dezembro, recebemos a notícia de que nenhuma irmã da Karla é compatível com ela, o que nos deixou muito tristes. Durante o tratamento de consolidação da quimioterapia, Karla foi submetida a um procedimento que retirou células da medula óssea para serem congeladas. A ideia era utilizar essas células-tronco no futuro, naquilo que os especialistas chamam de transplante autólogo de medula óssea, ou seja, dela pra ela mesma, com um bom intervalo de tempo. Congeladas para uso futuro, essas células matariam qualquer célula maligna que porventura ainda houvesse na medula óssea. Isso funcionaria como uma espécie de backup, caso precisasse. Em dezembro, os médicos foram enfáticos em dizer que esse procedimento já não serviria para a Karla. Se a doença tivesse voltado em um ano, dois anos, daí sim, seria um ótimo recurso. Mas a doença voltou muito rapidamente, o que inviabilizaria o transplante autólogo. Agora, Karla teria que ser submetida a nova quimio para, no futuro, tentar o transplante halogênico não aparentado, ou seja, seu nome foi incluído no sistema nacional de busca por medula óssea.

Sabendo dessa necessidade, iniciei uma campanha via e-mail, para minha lista de amigos, e via facebook. O resultado foi espantoso. Em menos de três horas, fui procurado por um jornal impresso de grande circulação em minha cidade (Diário do Litoral), pela RIC Record Itajaí e pela TV Brasil Esperança. Concedi entrevistas a estas duas emissoras na mesma semana. Jornais locais de Itajaí e região publicaram nosso pedido de socorro, em busca de doadores de medula óssea. O ClicRBSItajaí publicou o pedido poucas horas após receber meu email. Outras redes sociais como a Arca de Noé, de Itajaí, publicaram também o pedido. Integrantes do grupo de radioamadores de Blumenau (que eu havia entrevistado no programa Viva Voz da Rádio Univali, no início de dezembro) fizeram um apelo via radioamador, para todo o Brasil. O sindicato dos metalúrgicos de Florianópolis, para o qual a Karla trabalha, também lançou campanha. A Univali, universidade no qual trabalho, fez uma campanha interna, espontânea. Grandes amigos e pessoas desconhecidas se solidarizaram com a nossa história. Aliás, só posso agradecer os vários departamentos da Univali que se solidarizaram com a campanha, como a Procuradoria e a Controladoria, dando exemplo de cidadania. As listas de email de várias empresas disseminaram meu pedido de socorro.

Os resultados foram rápidos. Na primeira semana, a Agência Transfusional do Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, recebeu mais de 40 pessoas interessadas em doar medula óssea. Normalmente, dez pessoas faziam o cadastro por mês, naquele setor. Vale lembrar que Itajaí não tem hemocentro. Os testes foram encaminhados para o Hemosc, em Florianópolis.

Essa foi uma grande vitória para a sociedade. Dezenas de pessoas se tornaram doadores de medula óssea graças ao nosso apelo. Se Deus quiser, muita gente vai ser beneficiada no futuro por causa desta campanha. Uma campanha rápida, mas que começou de forma individual e se alastrou, graças à solidariedade do nosso povo.


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