A rotina de qualquer hospital não é nada fácil. Imagine então num hospital que possui serviço de referência numa determinada especialidade? Bem, é isso que acontece no dia a dia do hospital onde a Karla está internada e eu, como acompanhante, também sinto na pele essa rotina. Existe horário para tomar banho, por exemplo. Em razão da maior parte dos enfermeiros trabalharem no período da manhã, é preciso tomar banho num determinado horário. A rotina de exames, no caso da Leucemia, é estressante. Às 5h30, religiosamente, todos os dias, é feito um exame de sangue, pelo cateter instalado sob a pele dela. Às vezes, o cateter não reflui. Quando isso acontece, é preciso fazer a coleta de forma periférica, ou seja, no braço.
Em seguida, começa-se a bateria de comprimidos que devem ser administrados. Antifúngicos, antibióticos, vários comprimidos já nas primeiras horas do dia. Aferição da pressão arterial, oxímetria, pesagem do paciente. Tudo isso ocorre a cada mudança de plantão da enfermagem (3 vezes por dia) ou quando há necessidade. A picadinha no dedo, para saber como está a glicose, também é feita três vezes por dia. Isso é necessário porque a quantidade de soro glicosado é enorme, desde antes da administração da quimioterapia. Cada vez que a glicose ultrapassa 180, uma injeção de insulina é aplicada próximo ao umbigo.
O sistema imunológico do paciente de leucemia é destruído a cada fase de quimioterapia. Daí, corre-se o risco de infecção por fungos, vírus ou bactérias. Por isso, todo produto que entra no hospital precisa ser higienizado antes de entrar no quarto do paciente. Todo produto que é consumido pelo acompanhante, digo, porque o paciente não pode ingerir nada de fora, nada. Apenas o que é servido no hospital. A nutricionista as vezes capricha na dieta da Karla e lhe concede privilégios, já que o rigor é altíssimo. Afinal, comida de hospital raramente é boa mesmo. Pipoca, pastel, mini pizza, lasanha, são alguns dos agrados oferecidos pela nutricionista. Claro, nada disso tem o mesmo gosto que algo comprado fora do hospital. Claro que não. Mas dá pra disfarçar.